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Tempo, mãe, tempo, filha



E o que dizer do tempo? Tempo, tempo, tempo, mano velho...
A falta dele é porquê das ausências, falhas, desgostos e desamores
Cultivar a beleza da vida, suavizar os dias com aromas e sabores, tê-lo a ser favor, tempo
Dentre dias alegres e tortos, em meio à tentativas de acertar errando
Cá estamos, com o terço da vida completo
Feliz e triste com o tempo, pelo que passou e pelo que ainda me falta
Contente, relutante pela doação, isenção, plenitude e vazio
E a primavera que se inicia traz cor
O florescer de um novo ciclo toma forma a cada nova palavra solta
Um aprendizado constante com tuas reações, caras e bocas, satisfação e manha
E no balanço desse berço, a delicadeza da maternidade, do início dela
Transforma-se no cotidiano tempestivo, de risos, choros e coros
Uma fase de se auto-conhecer
Buscar no eu mais profundo, a razão, a dádiva de ter gerado um novo ser
Ser humano, ser mãe, ser mulher, ser tudo ao mesmo tempo
E o tempo de novo que não falha
Que reluta em sobrar e não calha
Vida e tempo, ser mãe, ter filha.

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