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A tormenta é única, mas cada um no seu barco

De verdade, já deu. Já deu pra várias pessoas, comandantes de vários barcos diferentes, fingindo normalidade nesse isolamento que não tem fim, num afastamento que não tem culpados, mas tem sentidos. Era pra ser um vírus, virou uma guerra biológica contra seres vivos invisíveis, minusculamente mais poderosos do que a capacidade humana de controlá-los - viral, corona. Houve o romantismo da fase de olhar pra dentro, entender o "não-acaso" de uma pandemia, da alastrada doença mundial, o despertar de uma consciência de higiene coletiva, saúde, solidariedade, inclusão, humanização, mas sobre tudo isso já deu. Deu nosso limite do "aguentar com serenidade", de falar em empatia, tendo cada barco suas dificuldades e particulares para navegar, uma disparidade de conforto, comida, trabalho, renda, amor, companhias e amizades, tecnologia, saneamento básico Brasil. Pirei já no segundo mês, quando enclausurada nesse meu mundinho confortável, vida interiorana de SP que esco...

Entre tocas e circos

Eis que estão todos em tocas, toca de coruja, de tatu, cabanas próprias ou compartilhadas, nichos. Imbuídos num mesmo sistema que rege, o do capital. Ligados aos mesmos pontos que ensinam a linearidade cristã Nascer, crescer, reproduzir e morrer. E aí questiona-se: a graça de td isso? A beleza, encanto ou sentido da vida? Estaria nas cores, gestos, toques, sorrisos e abraços? No beijo, nos filhos, no verde, prédios e mares? Nas ruas ou nas tocas? Nas cifras ou relatórios com certeza não. A grande graça parte dos olhos de quem quem vê. Mesmo assim resiste-se em aceitar que o que lançamos, volta. E que a felicidade é um estado de espirito e não um fim. Passivos espera-se na plateia, que os espetáculos da vida os entretenha. Enfeitam as tocas e nichos de corujas se formam. E qual seu papel nesse show? Está no elenco? O pão é ofertado, o circo montado, a alma vendida e a sensação é de "para onde eu vou"? Sair da toca é o que dói, entorpece, trava, desconcerta...

Na Era do Mimimi...

Poderia ser uma geração, mas é uma era toda! Um comportamento que abraça todas as idades, credos e classes sociais A causa do MIMIMI? O acesso à informação, que faz com que o conhecimento raso se torne grande A opinião que se aguça, os sentimentos se afloram, e o que "pode e não pode" se intensifica O mais irritante hoje é a cautela constante na comunicação interpessoal Não trata-se da vida corporativa. É a vida como ela é... em casa, na festa, no celular,  no trabalho, aff... cansa! Especialmente porque o MIMIMI existe no seu meio de convívio, não "por aí". Falar, escrever, susurrar, mandar sinal de luz, fumaça, piscar, sorrir, chorar, perguntar, responder Tudo pode ser muito sensível, dói, eterniza, desfaz amizades, destrói castelos, se torna para sempre. O clássico MIMIMI é esse do cotidiano: se não me ligou, então não queria falar comigo Se não recebi o invite na rede social, não fui convidado para a festa Se não me copiou no e-mail, não quer que c...

A vida até aqui...10 anos de história!

Três segundos inusitados Duas pessoas, um destino, uma escola de inglês Um estudante e uma secretária Dia 8 de abril ela começou um trabalho bacana numa escola bacana de pessoas bacanas Lá interior, Bauru, cenário de tudo Era outono de 2003, ela nos cursinhos e vestibulares E ele já no rumo, UNESP, fim da Engenharia Civil. Nele, ela viu um rostinho bonito, um menino família, contador de histórias e muito inteligente Se entusiasmou pela recomendação de não se entusiasmar E naquela mesma noite, numa festa da USP, o romance começou Ele com 25, ela aos 20, ariana, sonhadora, sem querer mas já se apaixonando Poderia estar cheia de planos para uma juventude prolongada, festas, facul, vida louca, mas não O escolheu...ou foi escolhida, ninguém sabe definir isso ao certo, mas foi assim. Capítulo 1 - O namoro Durou pouco mais de um ano, suficiente para conhecer, se envolver, sorrir e chorar juntos e separados Vida de motociclista, pouco planejamento, viagens ali por perto Vida simples, salár...

A arte da vida é viver, e nessa estrada sigo, celebrando, plantando e colhendo.

Entra assunto, sai assunto e a vontade de expressão me instiga e me cala O tempo é sempre o vilão, as 24 horas que me dispõem jamais cobrem tudo que desejo realizar. Pois bem, já foram as eleições para o líder dessa cidade, Isis já engessou o braço Um dos maiores sentimento de culpa, nata de mãe, me invadiu Já sorri e chorei, tantas idas e vindas no mundo cinza O Santo da novela se foi, um amigo de infância também subiu para um outro plano Mesmo sem vínculos, um vazio me veio e abalou Me empolguei e desanimei em segundos, com ônus e bônus a cada mudança nos traz Cuido de tudo, gosto de quase todos, integro, interajo E falta atenção, à mim E como num piscar de olhos, seja estética ou saúde, uma luz surgiu Abri mão de um almoço tranquilo, diário. Pra quê? E para completar a correria do meu dia, mais um plano anual comprometido Uma nova fase recomeça, em busca da auto estima, estima-se Atureis caras feias, simpatizse com outras mais belas E aí surgem uns, somem outros, ...

E lá vai ela, crescer com a escola, e eu....

O tempo passou? Não, voou, decolou, e a hora chegou. "Ai". Hora do desapego, precoce momento de entregar sua cria para o mundo e se sujeitar a passar mais de 10 horas distante do maior amor da vida, em prol do lado profissional da vida, para se ocupar, produzir, gerar renda e assim, garantir qualidade de vida com recursos. "Será?" É um momento contraditório, mesmo sendo pela segunda vez É uma separação dolorida, uma preocupação constante ao entregar o tesouro mais precioso da minha existência nas mãos de uma equipe profissional sem vínculos familiares ou afetivos. Mas o afeto vem, surge, nasce, o carinho se desenvolve e um amor incondicional também cresce dentre aquelas que tem a missão de cuidar dessas nossas crias tão ricas e preciosas. Laís começou no berçário junto à irmã Junto porque acredito que o vínculo de irmandade deve ser constante E a opção de berçário porque não confio fielmente em alguém para ficar sozinha com minha pitica linda da mãe, e n...

Vida, vida, vida. Obrigada!

E lá está ela, reclamando porque as coisas não saem como planejado Ah, sim, e desde quando a rotina de mãe tem direito a ter planejamento? E como pode-se garantir horários e compromissos tendo seres indefesos para cuidar? Sacode o lençol, levanta dessa cama e vamos em frente! Agradeça. Simplesmente agradeça a plena saúde de suas crias Agradeça os dias maravilhosos neste seu território sem guerra, dilúvios, enchentes, sem lama. Agradeça a fartura da sua mesa, o companheirismo dentro de casa A gritaria por alegria e os chororôs de felicidade. Lamurie menos, agradeça muito mais. Olhe ao redor, encare a realidade do mundo, converse com amigos E realmente perceba os tons de verde da grama ao lado O verde não é mais verde ali Inclusive há dias com sol, com chuva, trovões e raios Há todo tipo de céu em todas as famílias E é o céu que te dá o tom do verde Cuide da sua grama e cultive bons sentimentos por ela. Repare nos detalhes Atente-se ao caos do mundo, a violência das...